{"id":29,"date":"2018-08-02T15:30:31","date_gmt":"2018-08-02T18:30:31","guid":{"rendered":"http:\/\/mino.com.br\/?p=29"},"modified":"2018-08-02T15:30:31","modified_gmt":"2018-08-02T18:30:31","slug":"logica-falacias","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mino.com.br\/?p=29","title":{"rendered":"L\u00f3gica &#038; Fal\u00e1cias"},"content":{"rendered":"<div class=\"title-article-single\" style=\"position: relative;\">\n<p>Fonte: http:\/\/ateus.net\/artigos\/ceticismo\/logica-e-falacias\/<\/p>\n<h1><a title=\"L\u00f3gica &amp; Fal\u00e1cias\" href=\"http:\/\/ateus.net\/artigos\/ceticismo\/logica-e-falacias\/\">L\u00f3gica &amp; Fal\u00e1cias<\/a><\/h1>\n<\/div>\n<div class=\"author author-article-single\">\n<p><a title=\"Matthew\" href=\"http:\/\/ateus.net\/autor\/matthew\/\">Matthew<\/a><\/p>\n<\/div>\n<h3>Introdu\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>H\u00e1 muito debate na Internet; infelizmente, grande parte dele possui p\u00e9ssima qualidade. O objetivo deste documento \u00e9 explicar os fundamentos da argumenta\u00e7\u00e3o l\u00f3gica e possivelmente melhorar o n\u00edvel dos debates em geral.<\/p>\n<p>O <em> Dicion\u00e1rio de Ingl\u00eas conciso de Oxford<\/em> (<em>Concise Oxford English Dictionary<\/em>) define l\u00f3gica como &#8220;a ci\u00eancia da argumenta\u00e7\u00e3o, prova, reflex\u00e3o ou infer\u00eancia&#8221;. Ela lhe permitir\u00e1 analisar um argumento ou racioc\u00ednio e deliberar sobre sua veracidade. A l\u00f3gica n\u00e3o \u00e9 um pressuposto para a argumenta\u00e7\u00e3o, \u00e9 claro; mas conhecendo-a, mesmo que superficialmente, torna-se mais f\u00e1cil evidenciar argumentos inv\u00e1lidos.<\/p>\n<p>H\u00e1 muitos tipos de l\u00f3gica, como a difusa e a construtiva; elas possuem diferentes regras, vantagens e desvantagens. Este documento discute apenas a Booleana simples, pois \u00e9 largamente conhecida e de compreens\u00e3o relativamente f\u00e1cil. Quando indiv\u00edduos falam sobre algo ser &#8220;l\u00f3gico&#8221;, geralmente se referem \u00e0 l\u00f3gica que ser\u00e1 tratada aqui.<\/p>\n<h3>O que a l\u00f3gica <em>n\u00e3o<\/em> \u00e9<\/h3>\n<p>Vale fazer alguns coment\u00e1rios sobre o que a l\u00f3gica n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n<p>Primeiro: <em>a l\u00f3gica n\u00e3o \u00e9 uma lei absoluta que governa o universo<\/em>. Muitas pessoas, no passado, conclu\u00edram que se algo era logicamente imposs\u00edvel (dada a ci\u00eancia da \u00e9poca), ent\u00e3o seria literalmente imposs\u00edvel. Acreditava-se tamb\u00e9m que a geometria euclidiana era uma lei universal; afinal, era logicamente consistente. Mas sabemos que tais regras geom\u00e9tricas n\u00e3o s\u00e3o universais.<\/p>\n<p>Segundo: <em>a l\u00f3gica n\u00e3o \u00e9 um conjunto de regras que governa o comportamento humano<\/em>. Pessoas podem possuir objetivos logicamente conflitantes. Por exemplo:<\/p>\n<ul>\n<li>John quer falar com quem est\u00e1 no encargo.<\/li>\n<li>A pessoa no encargo \u00e9 Steve.<\/li>\n<li>Logo, John quer falar com Steve.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Infelizmente, pode ser que John tamb\u00e9m deseje, por outros motivos, evitar contato com Steve, tornando seu objetivo conflitante. Isso significa que a resposta l\u00f3gica nem sempre \u00e9 vi\u00e1vel.<\/p>\n<p>Este documento apenas explica como utilizar a l\u00f3gica; decidir se ela \u00e9 a ferramenta correta para a situa\u00e7\u00e3o fica por conta de cada um. H\u00e1 outros m\u00e9todos para comunica\u00e7\u00e3o, discuss\u00e3o e debate.<\/p>\n<h3>Argumentos<\/h3>\n<p>Um argumento \u00e9, segundo <em>Monthy Phyton Sketch<\/em>, &#8220;uma s\u00e9rie concatenada de afirma\u00e7\u00f5es com o fim de estabelecer uma proposi\u00e7\u00e3o definida&#8221;.<\/p>\n<p>Existem v\u00e1rios tipos de argumento; iremos discutir os chamados <em>dedutivos<\/em>. Esses s\u00e3o geralmente vistos como os mais precisos e persuasivos, provando categoricamente suas conclus\u00f5es; podem ser <em>v\u00e1lidos<\/em> ou <em>inv\u00e1lidos<\/em>.<\/p>\n<p>Argumentos dedutivos possuem tr\u00eas est\u00e1gios: premissas, infer\u00eancia e conclus\u00e3o. Entretanto, antes de discutir tais est\u00e1gios detalhadamente, precisamos examinar os alicerces de um argumento dedutivo: proposi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h3>Proposi\u00e7\u00f5es<\/h3>\n<p>Uma <em>proposi\u00e7\u00e3o<\/em> \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o que pode ser verdadeira ou falsa. Ela \u00e9 o significado da afirma\u00e7\u00e3o, n\u00e3o um arranjo preciso das palavras para transmitir esse significado.<\/p>\n<p>Por exemplo, &#8220;Existe um n\u00famero primo par maior que dois&#8221; \u00e9 uma proposi\u00e7\u00e3o (no caso, uma falsa). &#8220;Um n\u00famero primo par maior que dois existe&#8221; \u00e9 a mesma proposi\u00e7\u00e3o expressa de modo diferente.<\/p>\n<p>Infelizmente, \u00e9 muito f\u00e1cil mudar acidentalmente o significado das palavras apenas reorganizando-as. A dic\u00e7\u00e3o da proposi\u00e7\u00e3o deve ser considerada como algo significante.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel utilizar a lingu\u00edstica formal para analisar e reformular uma afirma\u00e7\u00e3o sem alterar o significado; entretanto, este documento n\u00e3o pretende tratar de tal assunto.<\/p>\n<h3>Premissas<\/h3>\n<p>Argumentos dedutivos sempre requerem um certo n\u00famero de &#8220;assun\u00e7\u00f5es-base&#8221;. S\u00e3o as chamadas <em>premissas<\/em>; \u00e9 a partir delas que os argumentos s\u00e3o constru\u00eddos; ou, dizendo de outro modo, s\u00e3o as raz\u00f5es para se aceitar o argumento. Entretanto, algo que \u00e9 uma premissa no contexto de um argumento em particular, pode ser a conclus\u00e3o de outro, por exemplo.<\/p>\n<p>As premissas do argumento sempre devem ser explicitadas, esse \u00e9 o princ\u00edpio do <em>audiatur et altera pars<\/em>*. A omiss\u00e3o das premissas \u00e9 comumente encarada como algo suspeito, e provavelmente reduzir\u00e1 as chances de aceita\u00e7\u00e3o do argumento.<\/p>\n<p>A apresenta\u00e7\u00e3o das premissas de um argumento geralmente \u00e9 precedida pelas palavras &#8220;<em data-temp=\"true\">Admitindo<\/em> <em data-temp=\"true\">que.<\/em>&#8220;, &#8220;<em>J\u00e1 <\/em><em data-temp=\"true\">que.<\/em>&#8220;, &#8220;<em data-temp=\"true\">Obviamente<\/em><em> se.<\/em>&#8221; e &#8220;<em>Porque.<\/em>&#8220;. \u00c9 imprescind\u00edvel que seu oponente concorde com suas premissas antes de proceder com a argumenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Usar a palavra &#8220;obviamente&#8221; pode gerar desconfian\u00e7a. Ela ocasionalmente faz algumas pessoas aceitarem afirma\u00e7\u00f5es falsas em vez de admitir que n\u00e3o entendem por que algo \u00e9 &#8220;\u00f3bvio&#8221;. N\u00e3o hesite em questionar afirma\u00e7\u00f5es supostamente &#8220;\u00f3bvias&#8221;.<\/p>\n<p>* Express\u00e3o latina que significa &#8220;a parte contr\u00e1ria deve ser ouvida&#8221;.<\/p>\n<h3>Infer\u00eancia<\/h3>\n<p>Umas vez que haja concord\u00e2ncia sobre as premissas, o argumento procede passo a passo atrav\u00e9s do processo chamado <em>infer\u00eancia<\/em>.<\/p>\n<p>Na infer\u00eancia, parte-se de uma ou mais proposi\u00e7\u00f5es aceitas (premissas) para chegar a outras novas. Se a infer\u00eancia for v\u00e1lida, a nova proposi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m deve ser aceita. Posteriormente essa proposi\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser empregada em novas infer\u00eancias.<\/p>\n<p>Assim, inicialmente, apenas podemos inferir algo a partir das premissas do argumento; ao longo da argumenta\u00e7\u00e3o, entretanto, o n\u00famero de afirma\u00e7\u00f5es que podem ser utilizadas aumenta.<\/p>\n<p>H\u00e1 v\u00e1rios tipos de infer\u00eancia v\u00e1lidos, mas tamb\u00e9m alguns inv\u00e1lidos, os quais ser\u00e3o analisados neste documento. O processo de infer\u00eancia \u00e9 comumente identificado pelas frases &#8220;<em data-temp=\"true\">consequentemente.<\/em>&#8221; ou &#8220;<em data-temp=\"true\">isso<\/em><em> implica <\/em><em>que.<\/em>&#8220;.<\/p>\n<h3>Conclus\u00e3o<\/h3>\n<p>Finalmente se chegar\u00e1 a uma proposi\u00e7\u00e3o que consiste na conclus\u00e3o, ou seja, no que se est\u00e1 tentando provar. Ela \u00e9 o resultado final do processo de infer\u00eancia, e s\u00f3 pode ser classificada como conclus\u00e3o no contexto de um argumento em particular.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o se respalda nas premissas e \u00e9 inferida a partir delas. Esse \u00e9 um processo sutil que merece explica\u00e7\u00e3o mais aprofundada.<\/p>\n<h3>A implica\u00e7\u00e3o em detalhes<\/h3>\n<p>Evidentemente, pode-se construir um argumento v\u00e1lido a partir de premissas verdadeiras, chegando a uma conclus\u00e3o tamb\u00e9m verdadeira. Mas tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel construir argumentos v\u00e1lidos a partir de premissas falsas, chegando a conclus\u00f5es falsas.<\/p>\n<p>O &#8220;pega&#8221; \u00e9 que podemos partir de premissas falsas, proceder atrav\u00e9s de uma infer\u00eancia v\u00e1lida, e chegar a uma conclus\u00e3o <em>verdadeira<\/em>. Por exemplo:<\/p>\n<ul>\n<li>Premissa: Todos peixes vivem no oceano.<\/li>\n<li>Premissa: Lontras s\u00e3o peixes.<\/li>\n<li>Conclus\u00e3o: Logo, lontras vivem no oceano.<\/li>\n<\/ul>\n<p>H\u00e1, no entanto, uma coisa que n\u00e3o pode ser feita: partir de premissas verdadeiras, inferir de modo correto, e chegar a uma conclus\u00e3o falsa.<\/p>\n<p>Podemos resumir esses resultados numa tabela de &#8220;regras de implica\u00e7\u00e3o&#8221;. O s\u00edmbolo &#8221; <a href=\"http:\/\/ateus.net\/wp\/wp-content\/uploads\/static\/implica.gif\"><img decoding=\"async\" title=\"implica\" src=\"http:\/\/ateus.net\/wp\/wp-content\/uploads\/static\/implica.gif\" alt=\"implica\" \/><\/a> &#8221; denota implica\u00e7\u00e3o; &#8220;A&#8221; \u00e9 a premissa, &#8220;B&#8221; \u00e9 a conclus\u00e3o.<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"200\" cellspacing=\"4\" cellpadding=\"4\">\n<tbody>\n<tr>\n<td colspan=\"3\" align=\"center\"><strong>Regras de implica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">Premissa<\/td>\n<td align=\"center\">Conclus\u00e3o<\/td>\n<td align=\"center\">Infer\u00eancia<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">A<\/td>\n<td align=\"center\">B<\/td>\n<td align=\"center\">A <a href=\"http:\/\/ateus.net\/wp\/wp-content\/uploads\/static\/implica.gif\"><img decoding=\"async\" title=\"implica\" src=\"http:\/\/ateus.net\/wp\/wp-content\/uploads\/static\/implica.gif\" alt=\"implica\" \/><\/a> B<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">Falsa<\/td>\n<td align=\"center\">Falsa<\/td>\n<td align=\"center\">V\u00e1lida<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">Falsa<\/td>\n<td align=\"center\">Verdadeira<\/td>\n<td align=\"center\">V\u00e1lida<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">Verdadeira<\/td>\n<td align=\"center\">Falsa<\/td>\n<td align=\"center\">Inv\u00e1lida<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">Verdadeira<\/td>\n<td align=\"center\">Verdadeira<\/td>\n<td align=\"center\">V\u00e1lida<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<ul>\n<li>Se as premissas s\u00e3o falsas e a infer\u00eancia v\u00e1lida, a conclus\u00e3o pode ser verdadeira ou falsa (linhas 1 e 2).<\/li>\n<li>Se a premissa \u00e9 verdadeira e a conclus\u00e3o falsa, a infer\u00eancia \u00e9 inv\u00e1lida (linha 3).<\/li>\n<li>Se as premissas e infer\u00eancia s\u00e3o v\u00e1lidas, a conclus\u00e3o \u00e9 verdadeira (linha 4).<\/li>\n<\/ul>\n<p>Desse modo, o fato de um argumento ser v\u00e1lido n\u00e3o significa necessariamente que sua conclus\u00e3o \u00e9 verdadeira, pois pode ter partido de premissas falsas.<\/p>\n<p>Um argumento v\u00e1lido que foi derivado de premissas verdadeiras \u00e9 chamado &#8220;argumento consistente&#8221;. Esses obrigatoriamente chegam a conclus\u00f5es verdadeiras.<\/p>\n<h3>Exemplo de argumento<\/h3>\n<p>A seguir est\u00e1 exemplificado um argumento v\u00e1lido, mas que pode ou n\u00e3o ser &#8220;consistente&#8221;.<\/p>\n<ul>\n<li>1 &#8211; Premissa: Todo evento tem uma causa.<\/li>\n<li>2 &#8211; Premissa: O Universo teve um come\u00e7o.<\/li>\n<li>3 &#8211; Premissa: Come\u00e7ar envolve um evento.<\/li>\n<li>4 &#8211; Infer\u00eancia: Isso implica que o come\u00e7o do Universo envolveu um evento.<\/li>\n<li>5 &#8211; Infer\u00eancia: Logo, o come\u00e7o do Universo teve uma causa.<\/li>\n<li>6 &#8211; Conclus\u00e3o: O Universo teve uma causa.<\/li>\n<\/ul>\n<p>A proposi\u00e7\u00e3o da linha 4 foi inferida das linhas 2 e 3. A linha 1, ent\u00e3o, \u00e9 usada em conjunto com proposi\u00e7\u00e3o 4, para inferir uma nova proposi\u00e7\u00e3o (linha 5). O resultado dessa infer\u00eancia \u00e9 reafirmado (numa forma levemente simplificada) como sendo a conclus\u00e3o.<\/p>\n<h3>Reconhecendo argumentos<\/h3>\n<p>O reconhecimento de argumentos \u00e9 mais dif\u00edcil que das premissas ou conclus\u00e3o. Muitas pessoas abarrotam textos de asser\u00e7\u00f5es sem sequer produzir algo que possa ser chamado argumento.<\/p>\n<p>Algumas vezes os argumentos n\u00e3o seguem os padr\u00f5es descritos acima. Por exemplo, algu\u00e9m pode dizer quais s\u00e3o suas conclus\u00f5es e depois justific\u00e1-las. Isso \u00e9 v\u00e1lido, mas pode ser um pouco confuso.<\/p>\n<p>Para piorar a situa\u00e7\u00e3o, algumas afirma\u00e7\u00f5es parecem argumentos, mas n\u00e3o s\u00e3o. Por exemplo: &#8220;Se a B\u00edblia \u00e9 verdadeira, Jesus ou foi um louco, um mentiroso, ou o Filho de Deus&#8221;.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o \u00e9 um argumento; \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o condicional. N\u00e3o explicita as premissas necess\u00e1rias para embasar as conclus\u00f5es, sem mencionar que possui outras falhas *(Nota 1).<\/p>\n<p>Um argumento n\u00e3o equivale a uma explica\u00e7\u00e3o. Suponha que, tentando provar que Albert Einstein acreditava em Deus, diss\u00e9ssemos: &#8220;Einstein afirmou que &#8216;Deus n\u00e3o joga dados&#8217; porque cria em Deus&#8221;.<\/p>\n<p>Isso pode parecer um argumento relevante, mas n\u00e3o \u00e9; trata-se de uma explica\u00e7\u00e3o da afirma\u00e7\u00e3o de Einstein. Para perceber isso, lembre-se que uma afirma\u00e7\u00e3o da forma &#8220;X porque Y&#8221; pode ser reescrita na forma &#8220;Y logo X&#8221;. O que resultaria em: &#8220;Einstein cria em Deus, por isso afirmou que &#8216;Deus n\u00e3o joga dados'&#8221;.<\/p>\n<p>Agora fica claro que a afirma\u00e7\u00e3o, que parecia um argumento, est\u00e1 <em>admitindo<\/em> a conclus\u00e3o que deveria estar <em>provando<\/em>.<\/p>\n<p>Ademais, Einstein n\u00e3o cria num Deus pessoal preocupado com assuntos humanos *(Nota 2).<\/p>\n<h3>Leitura complementar<\/h3>\n<p>Esbo\u00e7amos a estrutura de um argumento &#8220;consistente&#8221; dedutivo desde premissas at\u00e9 a conclus\u00e3o; contudo, em \u00faltima an\u00e1lise, a conclus\u00e3o s\u00f3 pode ser t\u00e3o persuasiva quanto as premissas utilizadas. A l\u00f3gica em si n\u00e3o resolve o problema da verifica\u00e7\u00e3o das premissas; para isso outra ferramenta \u00e9 necess\u00e1ria.<\/p>\n<p>O m\u00e9todo de investiga\u00e7\u00e3o preponderante \u00e9 o cient\u00edfico. No entanto, a filosofia da ci\u00eancia e o m\u00e9todo cient\u00edfico s\u00e3o assuntos extremamente extensos e explic\u00e1-los est\u00e1 muito al\u00e9m das pretens\u00f5es deste documento.<\/p>\n<p>Recomenda-se a leitura de livros espec\u00edficos sobre o assunto para uma compreens\u00e3o mais abrangente.<\/p>\n<h2>Fal\u00e1cias<\/h2>\n<p>H\u00e1 um certo n\u00famero de &#8220;armadilhas&#8221; a serem evitadas quando se est\u00e1 construindo um argumento dedutivo; elas s\u00e3o conhecidas como <em>fal\u00e1cias<\/em>. Na linguagem do dia-a-dia, n\u00f3s denominamos muitas cren\u00e7as equivocadas como fal\u00e1cias, mas, na l\u00f3gica, o termo possui significado mais espec\u00edfico: fal\u00e1cia \u00e9 uma falha t\u00e9cnica que torna o argumento inconsistente ou inv\u00e1lido.<\/p>\n<p>(Al\u00e9m da consist\u00eancia do argumento, tamb\u00e9m se podem criticar as inten\u00e7\u00f5es por detr\u00e1s da argumenta\u00e7\u00e3o.)<\/p>\n<p>Argumentos contentores de fal\u00e1cias s\u00e3o denominados <em>falaciosos<\/em>. Frequentemente parecem v\u00e1lidos e convincentes; \u00e0s vezes, apenas uma an\u00e1lise pormenorizada \u00e9 capaz de revelar a falha l\u00f3gica.<\/p>\n<p>A seguir est\u00e1 uma lista de algumas das fal\u00e1cias mais comuns e determinadas t\u00e9cnicas ret\u00f3ricas bastante utilizadas em debates. A inten\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi criar uma lista exaustivamente grande, mas apenas ajuda-lo a reconhecer algumas das fal\u00e1cias mais comuns, evitando, assim, ser enganado por elas.<\/p>\n<h4>Acentua\u00e7\u00e3o \/ \u00canfase<\/h4>\n<p>A fal\u00e1cia a <em>Acentua\u00e7\u00e3o<\/em> funciona atrav\u00e9s de uma mudan\u00e7a no significado. Neste caso, o significado \u00e9 alterado enfatizando diferentes partes da afirma\u00e7\u00e3o. Por exemplo:<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o devemos falar <em>mal<\/em> de nossos amigos&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o devemos falar mal de nossos <em>amigos<\/em>&#8221;<\/p>\n<p>Seja particularmente cauteloso com esse tipo de fal\u00e1cia na internet, onde \u00e9 f\u00e1cil interpretar mal o sentido do que est\u00e1 escrito.<\/p>\n<h4>Ad Hoc<\/h4>\n<p>Como mencionado acima, argumentar e explicar s\u00e3o coisas diferentes. Se estivermos interessados em demonstrar A, e B \u00e9 oferecido como evid\u00eancia, a afirma\u00e7\u00e3o &#8220;A porque B&#8221; \u00e9 um argumento. Se estivermos tentando demonstrar a veracidade de B, ent\u00e3o &#8220;A porque B&#8221; n\u00e3o \u00e9 um argumento, mas uma explica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A fal\u00e1cia <em>Ad Hoc<\/em> \u00e9 explicar um fato ap\u00f3s ter ocorrido, mas sem que essa explica\u00e7\u00e3o seja aplic\u00e1vel a outras situa\u00e7\u00f5es. Frequentemente a fal\u00e1cia <em>Ad Hoc<\/em> vem mascarada de argumento. Por exemplo, se admitirmos que Deus trata as pessoas igualmente, ent\u00e3o esta seria uma explica\u00e7\u00e3o <em>Ad Hoc<\/em>:<\/p>\n<p>&#8220;Eu fui curado de c\u00e2ncer&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Agrade\u00e7a a Deus, pois ele lhe curou&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Ent\u00e3o ele vai curar todas pessoas que t\u00eam c\u00e2ncer?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Hmm. talvez. os des\u00edgnios de Deus s\u00e3o misteriosos.&#8221;<\/p>\n<h4>Afirma\u00e7\u00e3o do Consequente<\/h4>\n<p>Essa fal\u00e1cia \u00e9 um argumento na forma &#8220;A implica B, B \u00e9 verdade, logo A \u00e9 verdade&#8221;. Para entender por que isso \u00e9 uma fal\u00e1cia, examine a tabela (acima) com as Regras de Implica\u00e7\u00e3o. Aqui est\u00e1 um exemplo:<\/p>\n<p>&#8220;Se o universo tivesse sido criado por um ser sobrenatural, haveria ordem e organiza\u00e7\u00e3o em todo lugar. E n\u00f3s vemos ordem, e n\u00e3o esporadicidade; ent\u00e3o \u00e9 \u00f3bvio que o universo teve um criador.&#8221;<\/p>\n<p>Esse argumento \u00e9 o contrario da <em>Nega\u00e7\u00e3o do Antecedente<\/em>.<\/p>\n<h4>Anfibolia<\/h4>\n<p>A <em>Anfibolia<\/em> ocorre quando as premissas usadas num argumento s\u00e3o amb\u00edguas devido a neglig\u00eancia ou imprecis\u00e3o gramatical. Por exemplo:<\/p>\n<p>&#8220;Premissa: A cren\u00e7a em Deus preenche um vazio muito necess\u00e1rio.&#8221;<\/p>\n<h4>Evid\u00eancia Aned\u00f3tica<\/h4>\n<p>Uma das fal\u00e1cias mais simples \u00e9 dar cr\u00e9dito a uma <em>Evid\u00eancia Aned\u00f3tica<\/em>. Por exemplo:<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 abundantes provas da exist\u00eancia de Deus; ele ainda faz milagres. Semana passada eu li sobre uma garota que estava morrendo de c\u00e2ncer, ent\u00e3o sua fam\u00edlia inteira foi para uma igreja e rezou, e ela foi curada.&#8221;<\/p>\n<p>\u00c9 bastante v\u00e1lido usar experi\u00eancias pessoais como ilustra\u00e7\u00e3o; contudo, essas anedotas n\u00e3o provam nada a ningu\u00e9m. Um amigo seu pode dizer que encontrou Elvis Presley no supermercado, mas aqueles que n\u00e3o tiveram a mesma experi\u00eancia exigir\u00e3o mais do que o testemunho de seu amigo para serem convencidos.<\/p>\n<p><em>Evid\u00eancias Aned\u00f3ticas<\/em> podem parecer muito convincentes, especialmente <em>queremos<\/em> acreditar nelas.<\/p>\n<h4>Argumentum ad Antiquitatem<\/h4>\n<p>Essa \u00e9 a fal\u00e1cia de afirmar que algo \u00e9 verdadeiro ou bom s\u00f3 porque \u00e9 antigo ou &#8220;sempre foi assim&#8221;. A fal\u00e1cia oposta \u00e9 a <em>Argumentum ad Novitatem<\/em>.<\/p>\n<p>&#8220;Crist\u00e3os acreditam em Jesus h\u00e1 milhares de anos. Se o Cristianismo n\u00e3o fosse verdadeiro, n\u00e3o teria perdurado tanto tempo&#8221;<\/p>\n<h4>Argumentum ad Baculum \/ Apelo \u00e0 For\u00e7a<\/h4>\n<p>Acontece quando algu\u00e9m recorre \u00e0 for\u00e7a (ou \u00e0 amea\u00e7a) para tentar induzir outros a aceitarem uma conclus\u00e3o. Essa fal\u00e1cia \u00e9 frequentemente utilizada por pol\u00edticos, e pode ser sumarizada na express\u00e3o &#8220;o poder define os direitos&#8221;. A amea\u00e7a n\u00e3o precisa vir diretamente da pessoa que argumenta. Por exemplo:<\/p>\n<p>&#8220;.assim, h\u00e1 amplas provas da veracidade da B\u00edblia, e todos que n\u00e3o aceitarem essa verdade queimar\u00e3o no Inferno.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;.em todo caso, sei seu telefone e endere\u00e7o; j\u00e1 mencionei que possuo licen\u00e7a para portar armas?&#8221;<\/p>\n<h4>Argumentum ad Crumenam<\/h4>\n<p>\u00c9 a fal\u00e1cia de acreditar que dinheiro \u00e9 o crit\u00e9rio da verdade; que indiv\u00edduos ricos t\u00eam mais chances de estarem certos. Trata-se do oposto ao <em>Argumentum ad Lazarum<\/em>. Exemplo:<\/p>\n<p>&#8220;A Microsoft \u00e9 indubitavelmente superior; por que outro motivo Bill Gates seria t\u00e3o rico?&#8221;<\/p>\n<h4>Argumentum ad Hominen<\/h4>\n<p><em>Argumentum ad Hominem<\/em> literalmente significa &#8220;argumento direcionado ao homem&#8221;; h\u00e1 duas variedades.<\/p>\n<p>A primeira \u00e9 a fal\u00e1cia <em>Argumentum ad Hominem<\/em>abusiva: consiste em rejeitar uma afirma\u00e7\u00e3o e justificar a recusa criticando a pessoa que fez a afirma\u00e7\u00e3o. Por exemplo:<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea diz que os ateus podem ser morais, mas descobri que voc\u00ea abandonou sua mulher e filhos.&#8221;<\/p>\n<p>Isso \u00e9 uma fal\u00e1cia porque a veracidade de uma asser\u00e7\u00e3o n\u00e3o depende das virtudes da pessoa que a propugna. Uma vers\u00e3o mais sutil do <em>Argumentum ad Hominen <\/em>\u00e9 rejeitar uma proposi\u00e7\u00e3o baseando-se no fato de ela tamb\u00e9m ser defendida por pessoas de car\u00e1ter muito question\u00e1vel. Por exemplo:<\/p>\n<p>&#8220;Por isso n\u00f3s dever\u00edamos fechar a igreja? Hitler e St\u00e1lin concordariam com voc\u00ea.&#8221;<\/p>\n<p>A segunda forma \u00e9 tentar persuadir algu\u00e9m a aceitar uma afirma\u00e7\u00e3o utilizando como refer\u00eancia as circunst\u00e2ncias particulares da pessoa. Por exemplo:<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 perfeitamente aceit\u00e1vel matar animais para usar como alimento. Esperto que voc\u00ea n\u00e3o contrarie o que eu disse, pois parece bastante feliz em vestir seus sapatos de couro.&#8221;<\/p>\n<p>Esta fal\u00e1cia \u00e9 conhecida como <em>Argumenutm ad Hominem<\/em> circunstancial e tamb\u00e9m pode ser usada como uma desculpa para rejeitar uma conclus\u00e3o. Por exemplo:<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 claro que a seu ver discrimina\u00e7\u00e3o racial \u00e9 absurda. Voc\u00ea \u00e9 negro&#8221;<\/p>\n<p>Essa forma em particular do <em>Argumenutm ad Hominem<\/em>, no qual voc\u00ea alega que algu\u00e9m est\u00e1 defendendo uma conclus\u00e3o por motivos ego\u00edstas, tamb\u00e9m \u00e9 conhecida como &#8220;envenenar o po\u00e7o&#8221;.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 sempre inv\u00e1lido referir-se \u00e0s circunst\u00e2ncias de quem que faz uma afirma\u00e7\u00e3o. Um indiv\u00edduo certamente perde credibilidade como testemunha se tiver fama de mentiroso ou traidor; entretanto, isso n\u00e3o prova a falsidade de seu testemunho, nem altera a consist\u00eancia de quaisquer de seus argumentos l\u00f3gicos.<\/p>\n<h4>Argumentum ad Ignorantiam<\/h4>\n<p><em>Argumentum ad Ignorantiam<\/em> significa &#8220;argumento da ignor\u00e2ncia&#8221;. A fal\u00e1cia consiste em afirmar que algo \u00e9 verdade simplesmente porque n\u00e3o provaram o contr\u00e1rio; ou, de modo equivalente, quando for dito que algo \u00e9 falso porque n\u00e3o provaram sua veracidade.<\/p>\n<p>(Nota: <em>admitir<\/em> que algo \u00e9 falso at\u00e9 provarem o contr\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa que <em>afirmar<\/em>. Nas leis, por exemplo, os indiv\u00edduos s\u00e3o considerados inocentes at\u00e9 que se prove o contr\u00e1rio.)<\/p>\n<p>Abaixo est\u00e3o dois exemplos:<\/p>\n<p>&#8220;Obviamente a B\u00edblia \u00e9 verdadeira. Ningu\u00e9m pode provar o contr\u00e1rio.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Certamente a telepatia e os outros fen\u00f4menos ps\u00edquicos n\u00e3o existem. Ningu\u00e9m jamais foi capaz de prov\u00e1-los.&#8221;<\/p>\n<p>Na investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, sabe-se que um evento pode produzir certas evid\u00eancias de sua ocorr\u00eancia, e que a aus\u00eancia dessas evid\u00eancias pode ser validamente utilizada para inferir que o evento n\u00e3o ocorreu. No entanto, n\u00e3o prova com certeza.<\/p>\n<p>Por exemplo:<\/p>\n<p>&#8220;Para que ocorresse um dil\u00favio como o descrito pela B\u00edblia seria necess\u00e1rio um enorme volume de \u00e1gua. A Terra n\u00e3o possui nem um d\u00e9cimo da quantidade necess\u00e1ria, mesmo levando em conta a que est\u00e1 congelada nos p\u00f3los. Logo, o dil\u00favio n\u00e3o ocorreu.&#8221;<\/p>\n<p>Certamente \u00e9 poss\u00edvel que algum processo desconhecido tenha removido a \u00e1gua. A ci\u00eancia, entretanto, exigiria teorias plaus\u00edveis e pass\u00edveis de experimenta\u00e7\u00e3o para aceitar que o fato tenha ocorrido.<\/p>\n<p>Infelizmente, a hist\u00f3ria da ci\u00eancia \u00e9 cheia de predi\u00e7\u00f5es l\u00f3gicas que se mostraram equivocadas. Em 1893, a <em>Real Academia de Ci\u00eancias da Inglaterra<\/em> foi persuadida por Sir Robert Ball de que a comunica\u00e7\u00e3o com o planeta Marte era fisicamente imposs\u00edvel, pois necessitaria de uma antena do tamanho da Irlanda, e seria imposs\u00edvel faz\u00ea-la funcionar.<\/p>\n<p>Veja tamb\u00e9m <em>Mudando o \u00d4nus da Prova<\/em>.<\/p>\n<h4>Argumentum ad Lazarum<\/h4>\n<p>\u00c9 a fal\u00e1cia de assumir que algu\u00e9m pobre \u00e9 mais \u00edntegro ou virtuoso que algu\u00e9m rico. Essa fal\u00e1cia \u00e9 ap\u00f5e-se \u00e0 <em>Argumentum ad Crumenam<\/em>. Por exemplo:<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 mais prov\u00e1vel que os monges descubram o significado da vida, pois abdicaram das distra\u00e7\u00f5es que o dinheiro possibilita.&#8221;<\/p>\n<h4>Argumentum ad Logicam<\/h4>\n<p>Essa \u00e9 uma &#8220;fal\u00e1cia da fal\u00e1cia&#8221;. Consiste em argumentar que uma proposi\u00e7\u00e3o \u00e9 falsa porque foi apresentada como a conclus\u00e3o de um argumento falacioso. Lembre-se que um argumento falacioso pode chegar a conclus\u00f5es verdadeiras.<\/p>\n<p>&#8220;Pegue a fra\u00e7\u00e3o 16\/64. Agora, cancelando-se o seis de cima e o seis debaixo, chegamos a 1\/4.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Espere um segundo! Voc\u00ea n\u00e3o pode cancelar o seis!&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Ah, ent\u00e3o voc\u00ea quer dizer que 16\/64 n\u00e3o \u00e9 1\/4?&#8221;<\/p>\n<h4>Argumentum ad Misericordiam<\/h4>\n<p>\u00c9 o apelo \u00e0 piedade, tamb\u00e9m conhecida como <em>S\u00faplica Especial<\/em>. A fal\u00e1cia \u00e9 cometida quando algu\u00e9m apela \u00e0 compaix\u00e3o a fim de que aceitem sua conclus\u00e3o. Por exemplo:<\/p>\n<p>&#8220;Eu n\u00e3o assassinei meus pais com um machado! Por favor, n\u00e3o me acuse; voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea que j\u00e1 estou sofrendo o bastante por ter me tornado um \u00f3rf\u00e3o?&#8221;<\/p>\n<h4>Argumentum ad Nauseam<\/h4>\n<p>Consistem em crer, equivocadamente, que algo \u00e9 tanto mais verdade, ou tem mais chances de ser, quanto mais for repetido. Um <em>Argumentum ad Nauseam<\/em>\u00e9 aquele que afirma algo repetitivamente at\u00e9 a exaust\u00e3o.<\/p>\n<h4>Argumentum ad Novitatem<\/h4>\n<p>Esse \u00e9 o oposto do <em>Argumentum ad Antiquitatem<\/em>; \u00e9 a fal\u00e1cia de afirmar que algo \u00e9 melhor ou mais verdadeiro simplesmente porque \u00e9 novo ou mais recente que alguma outra coisa.<\/p>\n<p>&#8220;BeOS \u00e9, de longe, um sistema operacional superior ao OpenStep, pois possui um design muito mais atual.&#8221;<\/p>\n<h4>Argumentum ad Numerum<\/h4>\n<p>Fal\u00e1cia relacionada ao <em>Argumentum ad Populum<\/em>. Consiste em afirmar que quanto mais pessoas concordam ou acreditam numa certa proposi\u00e7\u00e3o, mais provavelmente ela estar\u00e1 correta. Por exemplo:<\/p>\n<p>&#8220;A grande maioria dos habitantes deste pa\u00eds acredita que a puni\u00e7\u00e3o capital \u00e9 bastante eficiente na diminui\u00e7\u00e3o dos delitos. Negar isso em face de tantas evid\u00eancias \u00e9 rid\u00edculo.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Milhares de pessoas acreditam nos poderes das pir\u00e2mides; ela deve ter algo de especial.&#8221;<\/p>\n<h4>Argumentum ad Populum<\/h4>\n<p>Tamb\u00e9m conhecida como apelo ao povo. Comete-se essa fal\u00e1cia ao tentar conquistar a aceita\u00e7\u00e3o de uma proposi\u00e7\u00e3o apelando a um grande n\u00famero de pessoas. Esse tipo de fal\u00e1cia \u00e9 comumente caracterizado por uma linguagem emotiva. Por exemplo:<\/p>\n<p>&#8220;A pornografia deve ser banida. \u00c9 uma viol\u00eancia contra as mulheres.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Por milhares de anos pessoas t\u00eam acreditado na B\u00edblia e Jesus, e essa cren\u00e7a teve um enorme impacto sobre suas vida. De que outra evid\u00eancia voc\u00ea precisa para se convencer de que Jesus \u00e9 o filho de Deus? Voc\u00ea est\u00e1 dizendo que todas elas s\u00e3o apenas est\u00fapidas pessoas enganadas?&#8221;<\/p>\n<h4>Argumentum ad Verecundiam<\/h4>\n<p>O <em>Apelo \u00e0 Autoridade<\/em> usa a admira\u00e7\u00e3o a uma pessoa famosa para tentar sustentar uma afirma\u00e7\u00e3o. Por exemplo:<\/p>\n<p>&#8220;Isaac Newton foi um g\u00eanio e acreditava em Deus.&#8221;<\/p>\n<p>Esse tipo de argumento n\u00e3o \u00e9 sempre inv\u00e1lido; por exemplo, pode ser relevante fazer refer\u00eancia a um indiv\u00edduo famoso de um campo espec\u00edfico. Por exemplo, podemos distinguir facilmente entre:<\/p>\n<p>&#8220;Hawking concluiu que os buracos negros geram radia\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Penrose conclui que \u00e9 imposs\u00edvel construir um computador inteligente.&#8221;<\/p>\n<p>Hawking \u00e9 um f\u00edsico, ent\u00e3o \u00e9 razo\u00e1vel admitir que suas opini\u00f5es sobre os buracos negros s\u00e3o fundamentadas. Penrose \u00e9 um matem\u00e1tico, ent\u00e3o sua qualifica\u00e7\u00e3o para falar sobre o assunto \u00e9 bastante question\u00e1vel.<\/p>\n<h4>Audiatur et Altera Pars<\/h4>\n<p>Frequentemente pessoas argumentam partir de assun\u00e7\u00f5es omitidas. O princ\u00edpio do <em>Audiatur et Altera Pars<\/em> diz que todas premissas de um argumento devem ser explicitadas. Estritamente, a omiss\u00e3o das premissas n\u00e3o \u00e9 uma fal\u00e1cia; entretanto, \u00e9 comumente vista como algo suspeito.<\/p>\n<h4>Bifurca\u00e7\u00e3o<\/h4>\n<p>&#8220;<em>Preto e Branco<\/em>&#8221; \u00e9 outro nome dado a essa fal\u00e1cia. A <em>Bifurca\u00e7\u00e3o<\/em> ocorre se algu\u00e9m apresenta uma situa\u00e7\u00e3o com apenas duas alternativas, quando na verdade existem ou podem existir outras. Por exemplo:<\/p>\n<p>&#8220;Ou o homem foi criado, como diz a B\u00edblia, ou evoluiu casualmente de subst\u00e2ncias qu\u00edmicas inanimadas, como os cientistas dizem. J\u00e1 que a segunda hip\u00f3tese \u00e9 incrivelmente improv\u00e1vel, ent\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<h4>Circulus in Demonstrando<\/h4>\n<p>Consiste em adotar como premissa uma conclus\u00e3o \u00e0 qual voc\u00ea est\u00e1 tentando chegar. N\u00e3o raro, a proposi\u00e7\u00e3o \u00e9 reescrita para fazer com que tenha a apar\u00eancia de um argumento v\u00e1lido. Por exemplo:<\/p>\n<p>&#8220;Homossexuais n\u00e3o devem exercer cargos p\u00fablicos. Ou seja, qualquer funcion\u00e1rio p\u00fablico que se revele um homossexual deve ser despedido. Por isso, eles far\u00e3o qualquer coisa para esconder seu segredo, e assim ficar\u00e3o totalmente sujeitos a chantagens. Consequentemente, n\u00e3o se deve permitir homossexuais em cargos p\u00fablicos.&#8221;<\/p>\n<p>Esse \u00e9 um argumento completamente circular; a premissa e a conclus\u00e3o s\u00e3o a mesma coisa. Um argumento como o acima foi realmente utilizado como um motivo para que todos os empregados homossexuais do Servi\u00e7o Secreto Brit\u00e2nico fossem despedidos.<\/p>\n<p>Infelizmente, argumentos circulares s\u00e3o surpreendentemente comuns. Ap\u00f3s chegarmos a uma conclus\u00e3o, \u00e9 f\u00e1cil que, acidentalmente, fa\u00e7amos asser\u00e7\u00f5es ao tentarmos explicar o racioc\u00ednio a algu\u00e9m.<\/p>\n<h4>Quest\u00e3o Complexa \/ Fal\u00e1cia de Interroga\u00e7\u00e3o \/ Fal\u00e1cia da Pressuposi\u00e7\u00e3o<\/h4>\n<p>\u00c9 a forma interrogativa de pressupor uma resposta. Um exemplo cl\u00e1ssico \u00e9 a pergunta capciosa:<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea parou de bater em sua esposa?&#8221;<\/p>\n<p>A quest\u00e3o pressup\u00f5e uma resposta definida a outra quest\u00e3o que n\u00e3o chegou a ser feita. Esse truque \u00e9 bastante usado por advogados durante o interrogat\u00f3rio, quando fazem perguntas do tipo:<\/p>\n<p>&#8220;Onde voc\u00ea escondeu o dinheiro que roubou?&#8221;<\/p>\n<p>Similarmente, pol\u00edticos tamb\u00e9m usam perguntas capciosas como:<\/p>\n<p>&#8220;At\u00e9 quando ser\u00e1 permitida a intromiss\u00e3o dos EUA em nossos assuntos?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;O Chanceller planeja continuar essa privatiza\u00e7\u00e3o ruinosa por dois anos ou mais?&#8221;<\/p>\n<p>Outra forma dessa fal\u00e1cia \u00e9 pedir a explica\u00e7\u00e3o de algo falso ou que ainda n\u00e3o foi discutido.<\/p>\n<h4>Fal\u00e1cias de Composi\u00e7\u00e3o<\/h4>\n<p>A <em>Fal\u00e1cia de Composi\u00e7\u00e3o<\/em> \u00e9 concluir que uma propriedade compartilhada por um n\u00famero de elementos em particular, tamb\u00e9m \u00e9 compartilhada por um conjunto desses elementos; ou que as propriedades de uma parte do objeto devem ser as mesmas nele inteiro. Exemplos:<\/p>\n<p>&#8220;Essa bicicleta \u00e9 feita inteiramente de componentes de baixa densidade, logo \u00e9 muito leve.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Um carro utiliza menos petroqu\u00edmicos e causa menos polui\u00e7\u00e3o que um \u00f4nibus. Logo, os carros causam menos dano ambiental que os \u00f4nibus.&#8221;<\/p>\n<h4>Acidente Invertido \/ Generaliza\u00e7\u00e3o Grosseira<\/h4>\n<p>Essa \u00e9 o inverso da <em>Fal\u00e1cia do Acidente<\/em>. Ela ocorre quando se cria uma regra geral examinando apenas poucos casos espec\u00edficos que n\u00e3o representam todos os poss\u00edveis casos. Por exemplo:<\/p>\n<p>&#8220;Jim Bakker foi um Crist\u00e3o p\u00e9rfido; logo, todos os crist\u00e3os tamb\u00e9m s\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<h4>Convertendo uma Condicional<\/h4>\n<p>A fal\u00e1cia \u00e9 um argumento na forma &#8220;Se A ent\u00e3o B, logo se B ent\u00e3o A&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Se os padr\u00f5es educacionais forem abaixados, a qualidade dos argumentos vistos na internet diminui. Ent\u00e3o, se vermos o n\u00edvel dos debates na internet piorar, saberemos que os padr\u00f5es educacionais est\u00e3o caindo.&#8221;<\/p>\n<p>Essa fal\u00e1cia \u00e9 similar \u00e0 <em>Afirma\u00e7\u00e3o do Consequente<\/em>, mas escrita como uma afirma\u00e7\u00e3o condicional.<\/p>\n<h4>Cum Hoc Ergo Propter Hoc<\/h4>\n<p>Essa fal\u00e1cia \u00e9 similar \u00e0 <em>Post Hoc Ergo Propter Hoc<\/em>. Consiste em afirmar que devido a dois eventos terem ocorrido concomitantemente, eles possuem uma rela\u00e7\u00e3o de causalidade. Isso \u00e9 uma fal\u00e1cia porque ignora outro(s) fator(es) que pode(m) ser a(s) causa(s) do(s) evento(s).<\/p>\n<p>&#8220;Os \u00edndices de analfabetismo t\u00eam aumentado constantemente desde o advento da televis\u00e3o. Obviamente ela compromete o aprendizado&#8221;<\/p>\n<p>Essa fal\u00e1cia \u00e9 um caso especial da <em>Non Causa Pro Causa<\/em>.<\/p>\n<h4>Nega\u00e7\u00e3o do Antecedente<\/h4>\n<p>Trata-se de um argumento na forma &#8220;A implica B, A \u00e9 falso, logo B \u00e9 falso&#8221;. A tabela com as Regras de Implica\u00e7\u00e3o explica por que isso \u00e9 uma fal\u00e1cia.<\/p>\n<p>(Nota: A<em> Non Causa Pro Causa<\/em> \u00e9 diferente dessa fal\u00e1cia. A <em>Nega\u00e7\u00e3o do Antecedente<\/em> possui a forma &#8220;A implica B, A \u00e9 falso, logo B \u00e9 falso&#8221;, onde A <em>n\u00e3o<\/em> implica B em absoluto. O problema n\u00e3o \u00e9 que a implica\u00e7\u00e3o seja inv\u00e1lida, mas que a falsidade de A n\u00e3o nos permite deduzir qualquer coisa sobre B.)<\/p>\n<p>&#8220;Se o Deus b\u00edblico aparecesse para mim pessoalmente, isso certamente provaria que o cristianismo \u00e9 verdade. Mas ele n\u00e3o o fez, ou seja, a B\u00edblia n\u00e3o passa de fic\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Esse \u00e9 oposto da fal\u00e1cia <em>Afirma\u00e7\u00e3o do Consequente<\/em>.<\/p>\n<h4>Fal\u00e1cia do Acidente \/ Generaliza\u00e7\u00e3o Absoluta \/ Dicto Simpliciter<\/h4>\n<p>Uma <em>Generaliza\u00e7\u00e3o Absoluta<\/em> ocorre quando uma regra geral \u00e9 aplicada a uma situa\u00e7\u00e3o em particular, mas as caracter\u00edsticas da situa\u00e7\u00e3o tornam regra inaplic\u00e1vel. O erro ocorre quando se vai do geral do espec\u00edfico. Por exemplo:<\/p>\n<p>&#8220;Crist\u00e3os n\u00e3o gostam de ateus. Voc\u00ea \u00e9 um Crist\u00e3o, logo n\u00e3o gosta de ateus.&#8221;<\/p>\n<p>Essa fal\u00e1cia \u00e9 muito comum entre pessoas que tentam decidir quest\u00f5es legais e morais aplicando regras gerais mecanicamente.<\/p>\n<h4>Fal\u00e1cia da Divis\u00e3o<\/h4>\n<p>Oposta \u00e0 <em>Fal\u00e1cia de Composi\u00e7\u00e3o<\/em>, consiste em assumir que a propriedade de um elemento deve aplicar-se \u00e0s suas partes; ou que uma propriedade de um conjunto de elementos \u00e9 compartilhada por todos.<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea estuda num col\u00e9gio rico. Logo, voc\u00ea \u00e9 rico.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Formigas podem destruir uma \u00e1rvore. Logo, essa formiga tamb\u00e9m pode.&#8221;<\/p>\n<h4>Equivoca\u00e7\u00e3o \/ Fal\u00e1cia de Quatro Termos<\/h4>\n<p>A <em>Equivoca\u00e7\u00e3o<\/em> ocorre quando uma palavra-chave \u00e9 utilizada com dois um ou mais significados no mesmo argumento. Por exemplo:<\/p>\n<p>&#8220;Jo\u00e3o \u00e9 destro jogando futebol. Logo, tamb\u00e9m deve ser destro em outros esportes, apesar de ser canhoto.&#8221;<\/p>\n<p>Uma forma de evitar essa fal\u00e1cia \u00e9 escolher cuidadosamente a terminologia antes de formular o argumento, isso evita que palavras como &#8220;destro&#8221; possam ter v\u00e1rios significados (como &#8220;que usa preferencialmente a m\u00e3o direita&#8221; ou &#8220;h\u00e1bil, r\u00e1pido&#8221;).<\/p>\n<h4>Analogia Estendida<\/h4>\n<p>A fal\u00e1cia da <em>Analogia Estendida<\/em> ocorre, geralmente, quando alguma regra geral est\u00e1 sendo discutida. Um caso t\u00edpico \u00e9 assumir que a men\u00e7\u00e3o de duas situa\u00e7\u00f5es diferentes, num argumento sobre uma regra geral, significa que tais afirma\u00e7\u00f5es s\u00e3o an\u00e1logas.<\/p>\n<p>A seguir est\u00e1 um exemplo retirado de um debate sobre a legisla\u00e7\u00e3o anticriptogr\u00e1fica.<\/p>\n<p>&#8220;Eu acredito que \u00e9 errado opor-se \u00e0 lei violando-a.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Essa posi\u00e7\u00e3o \u00e9 execr\u00e1vel: implica que voc\u00ea n\u00e3o apoiaria Martin Luther King.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea est\u00e1 dizendo que a legisla\u00e7\u00e3o sobre criptografia \u00e9 t\u00e3o importante quando a luta pela igualdade dos homens? Como ousa!&#8221;<\/p>\n<h4>Ignorantio Elenchi \/ Conclus\u00e3o Irrelevante<\/h4>\n<p>A <em>Ignorantio Elenchi<\/em> consiste em afirmar que um argumento suporta uma conclus\u00e3o em particular, quando na verdade n\u00e3o possuem qualquer rela\u00e7\u00e3o l\u00f3gica.<\/p>\n<p>Por exemplo, um Crist\u00e3o pode come\u00e7ar alegando que os ensinamentos do Cristianismo s\u00e3o indubitavelmente verdadeiros. Se ap\u00f3s isso ele tentar justificar suas afirma\u00e7\u00f5es dizendo que tais ensinamentos s\u00e3o muito ben\u00e9ficos \u00e0s pessoas que os seguem, n\u00e3o importa qu\u00e3o eloquente ou coerente seja sua argumenta\u00e7\u00e3o, ela nunca vai provar a veracidade desses escritos.<\/p>\n<p>Lamentavelmente, esse tipo de argumenta\u00e7\u00e3o \u00e9 quase sempre bem-sucedido, pois faz as pessoas enxergarem a suposta conclus\u00e3o numa perspectiva mais benevolente.<\/p>\n<h4>Fal\u00e1cia da Lei Natural \/ Apelo \u00e0 Natureza<\/h4>\n<p>O <em>Apelo \u00e0 Natureza<\/em> \u00e9 uma fal\u00e1cia comum em argumentos pol\u00edticos. Uma vers\u00e3o consiste em estabelecer uma analogia entre uma conclus\u00e3o em particular e algum aspecto do mundo natural, e ent\u00e3o afirmar que tal conclus\u00e3o \u00e9 inevit\u00e1vel porque o mundo natural \u00e9 similar:<\/p>\n<p>&#8220;O mundo natural \u00e9 caracterizado pela competi\u00e7\u00e3o; animais lutam uns contra os outros pela posse de recursos naturais limitados. O capitalismo &#8211; luta pela posse de capital &#8211; \u00e9 simplesmente um aspecto inevit\u00e1vel da natureza humana. \u00c9 como o mundo funciona.&#8221;<\/p>\n<p>Outra forma de <em>Apelo \u00e0 Natureza<\/em> \u00e9 argumentar que devido ao homem ser produto da natureza, deve se comportar como se ainda estivesse nela, pois do contr\u00e1rio estaria indo contra sua pr\u00f3pria ess\u00eancia.<\/p>\n<p>&#8220;Claro que o homossexualismo \u00e9 inatural. Qual foi a \u00faltima vez em que voc\u00ea viu animais do mesmo sexo copulando?&#8221;<\/p>\n<h4>Fal\u00e1cia &#8220;Nenhum Escoc\u00eas de Verdade.&#8221;<\/h4>\n<p>Suponha que eu afirme &#8220;Nenhum escoc\u00eas coloca a\u00e7\u00facar em seu mingau&#8221;. Voc\u00ea contra-argumenta dizendo que seu amigo Angus gosta de a\u00e7\u00facar no mingau. Ent\u00e3o eu digo &#8220;Ah, sim, mas nenhum escoc\u00eas <em>de verdade<\/em> coloca&#8221;.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o exemplo de uma mudan\u00e7a <em>Ad Hoc<\/em> sendo feita para defender uma afirma\u00e7\u00e3o, combinada com uma tentativa de mudar o significado original das palavras; essa pode ser chamada uma combina\u00e7\u00e3o de fal\u00e1cias.<\/p>\n<h4>Non Causa Pro Causa<\/h4>\n<p>A fal\u00e1cia <em>Non Causa Pro Causa<\/em> ocorre quando algo \u00e9 tomado como causa de um evento, mas sem que a rela\u00e7\u00e3o causal seja demonstrada. Por exemplo:<\/p>\n<p>&#8220;Eu tomei uma aspirina e rezei para que Deus a fizesse funcionar; ent\u00e3o minha dor de cabe\u00e7a desapareceu. Certamente Deus foi quem a curou.&#8221;<\/p>\n<p>Essa \u00e9 conhecida como a fal\u00e1cia da <em>Causalidade<\/em> <em>Fict\u00edcia<\/em>. Duas varia\u00e7\u00f5es da <em>Non Causa Pro Causa<\/em> s\u00e3o as fal\u00e1cias <em>Cum Hoc Ergo Propter Hoc<\/em> e <em>Post Hoc Ergo Propter Hoc<\/em>.<\/p>\n<h4>Non Sequitur<\/h4>\n<p><em>Non Sequitur<\/em> \u00e9 um argumento onde a conclus\u00e3o deriva das premissas sem qualquer conex\u00e3o l\u00f3gica. Por exemplo:<\/p>\n<p>&#8220;J\u00e1 que os eg\u00edpcios fizeram muitas escava\u00e7\u00f5es durante a constru\u00e7\u00e3o das pir\u00e2mides, ent\u00e3o certamente eram peritos em paleontologia.&#8221;<\/p>\n<h4>Pretitio Principii \/ Implorando a Pergunta<\/h4>\n<p>Ocorre quando as premissas s\u00e3o pelo menos t\u00e3o question\u00e1veis quanto as conclus\u00f5es atingidas. Por exemplo:<\/p>\n<p>&#8220;A B\u00edblia \u00e9 a palavra de Deus. A palavra de Deus n\u00e3o pode ser questionada; a B\u00edblia diz que ela mesma \u00e9 verdadeira. Logo, sua veracidade \u00e9 uma certeza absoluta.&#8221;<\/p>\n<p><em>Pretitio Principii<\/em> \u00e9 similar ao <em>Circulus in Demonstrando<\/em>, onde a conclus\u00e3o \u00e9 a pr\u00f3pria premissa.<\/p>\n<h4>Plurium Interrogationum \/ Muitas Quest\u00f5es<\/h4>\n<p>Essa fal\u00e1cia ocorre quando algu\u00e9m exige uma resposta simplista a uma quest\u00e3o complexa.<\/p>\n<p>&#8220;Altos impostos impedem os neg\u00f3cios ou n\u00e3o? Sim ou n\u00e3o?&#8221;<\/p>\n<h4>Post Hoc Ergo Proter Hoc<\/h4>\n<p>A fal\u00e1cia <em>Post Hoc Ergo Propter Hoc<\/em> ocorre quando algo \u00e9 admitido como causa de um evento meramente porque o antecedeu. Por exemplo:<\/p>\n<p>&#8220;A Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica entrou em colapso ap\u00f3s a institui\u00e7\u00e3o do ate\u00edsmo estatal; logo, o ate\u00edsmo deve ser evitado.&#8221;<\/p>\n<p>Essa \u00e9 outra vers\u00e3o da <em>Fal\u00e1cia da Causalidade Fict\u00edcia<\/em>.<\/p>\n<h4>Fal\u00e1cia &#8220;Olha o Avi\u00e3o&#8221;<\/h4>\n<p>Comete-se essa fal\u00e1cia quando algu\u00e9m introduz material irrelevante \u00e0 quest\u00e3o sendo discutida, fugindo do assunto e comprometendo a objetividade da conclus\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea pode at\u00e9 dizer que a pena de morte \u00e9 ineficiente no combate \u00e0 criminalidade, mas e as v\u00edtimas? Como voc\u00ea acha que os pais se sentir\u00e3o quando virem o assassino de seu filho vivendo \u00e0s custas dos impostos que eles pagam? \u00c9 justo que paguem pela comida do assassino de seu filho?&#8221;<\/p>\n<h4><strong>Reifica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>A <em>Reifica\u00e7\u00e3o<\/em> ocorre quando um conceito abstrato \u00e9 tratado como algo concreto.<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea descreveu aquela pessoa como &#8216;maldosa&#8217;. Mas onde fica essa &#8216;maldade&#8217;? Dentro do c\u00e9rebro? Cad\u00ea? Voc\u00ea n\u00e3o pode nem demonstrar o que diz, suas afirma\u00e7\u00f5es s\u00e3o infundadas.&#8221;<\/p>\n<h4>Mudando o \u00d4nus da Prova<\/h4>\n<p>O \u00f4nus da prova sempre cabe \u00e0 pessoa que afirma. An\u00e1loga ao <em>Argumentum ad Ignorantiam<\/em>, \u00e9 a fal\u00e1cia de colocar o \u00f4nus da prova no indiv\u00edduo que nega ou questiona uma afirma\u00e7\u00e3o. O erro, obviamente, consiste em admitir que algo \u00e9 verdade at\u00e9 que provem o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>&#8220;Dizer que os alien\u00edgenas n\u00e3o est\u00e3o controlando o mundo \u00e9 f\u00e1cil. eu quero que voc\u00ea prove.&#8221;<\/p>\n<h4>Declive Escorregadio<\/h4>\n<p>Consiste em dizer que a ocorr\u00eancia de um evento acarretar\u00e1 consequ\u00eancias daninhas, mas sem apresentar provas para sustentar tal afirma\u00e7\u00e3o. Por exemplo:<\/p>\n<p>&#8220;Se legalizarmos a maconha, ent\u00e3o mais pessoas come\u00e7ar\u00e3o a usar crack e hero\u00edna, e ter\u00edamos de legaliza-las tamb\u00e9m. N\u00e3o levar\u00e1 muito tempo at\u00e9 que este pa\u00eds se transforme numa na\u00e7\u00e3o de viciados. Logo, n\u00e3o se deve legalizar a maconha.&#8221;<\/p>\n<h4>Espantalho<\/h4>\n<p>A fal\u00e1cia do <em>Espantalho<\/em> consiste em distorcer a posi\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m para que possa ser atacada mais facilmente. O erro est\u00e1 no fato dela n\u00e3o lidar com os verdadeiros argumentos.<\/p>\n<p>&#8220;Para ser ateu voc\u00ea precisa crer piamente na inexist\u00eancia de Deus. Para convencer-se disso, \u00e9 preciso vasculhar todo o Universo e todos os lugares onde Deus poderia estar. J\u00e1 que obviamente voc\u00ea n\u00e3o fez isso, sua posi\u00e7\u00e3o \u00e9 indefens\u00e1vel.&#8221;<\/p>\n<p>Uma vez por semana aparece algu\u00e9m com esse argumento na Internet. Quem n\u00e3o consegue entender qual \u00e9 a falha l\u00f3gica deve ler a <a title=\"\" href=\"http:\/\/ateus.net\/artigos\/ateismo\/uma-introducao-ao-ateismo\" target=\"\">Introdu\u00e7\u00e3o ao Ate\u00edsmo<\/a>.<\/p>\n<h4>Tu Quoque<\/h4>\n<p>Essa \u00e9 a famosa fal\u00e1cia &#8220;voc\u00ea tamb\u00e9m&#8221;. Ocorre quando se argumenta que uma a\u00e7\u00e3o \u00e9 aceit\u00e1vel apenas porque seu oponente a fez. Por exemplo:<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea est\u00e1 sendo agressivo em suas afirma\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;E da\u00ed? Voc\u00ea tamb\u00e9m.&#8221;<\/p>\n<p>Isso \u00e9 um ataque pessoal, sendo uma variante do caso <em>Argumentum ad Hominem<\/em>.<\/p>\n<p><em>Fal\u00e1cia do Meio N\u00e3o-distribu\u00eddo \/ Fal\u00e1cia &#8220;A baseia-se em B&#8221; ou &#8220;.\u00e9 um tipo de.&#8221;<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 uma falha l\u00f3gica que ocorre quando se tenta argumentar que certas coisas s\u00e3o, em algum aspecto, similares, mas n\u00e3o se consegue especificar qual. Exemplos:<\/p>\n<p>&#8220;A hist\u00f3ria n\u00e3o se baseia na f\u00e9? Ent\u00e3o a B\u00edblia tamb\u00e9m n\u00e3o poderia ser vista como hist\u00f3ria?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;O islamismo baseia-se na f\u00e9, o cristianismo tamb\u00e9m. Ent\u00e3o o islamismo n\u00e3o \u00e9 uma forma de cristianismo?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Gatos s\u00e3o animais formados de compostos org\u00e2nicos; cachorros tamb\u00e9m. Ent\u00e3o os cachorros n\u00e3o s\u00e3o apenas um tipo de gato?&#8221;<\/p>\n<blockquote class=\"noborder\">\n<h6><strong>Nota 1<\/strong><\/h6>\n<p><em>Jesus: Senhor, Mentiroso ou Lun\u00e1tico?<\/em><\/p>\n<p>&#8220;Jesus existiu? Se n\u00e3o, ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 o que discutir. Mas se existiu, e se autodenominava &#8216;Senhor&#8217;, isso significa que: ele era o Senhor, um mentiroso, ou um lun\u00e1tico. \u00c9 improv\u00e1vel que ele tenha sido um mentiroso, dado o c\u00f3digo moral descrito na B\u00edblia; seu comportamento tamb\u00e9m n\u00e3o era o de um lun\u00e1tico; ent\u00e3o certamente conclui-se que ele era o Senhor.&#8221;<\/p>\n<p>Primeiramente, esse argumento admite tacitamente que Jesus existiu de fato. O que \u00e9, no m\u00ednimo, algo question\u00e1vel. Ele possui uma fal\u00e1cia l\u00f3gica que poderemos chamar &#8220;<em>Trifurca\u00e7\u00e3o<\/em>&#8220;, por analogia com a <em>Bifurca\u00e7\u00e3o<\/em>. \u00c9 uma tentativa de restringir a tr\u00eas as possibilidades que, na verdade, s\u00e3o muitas mais.<\/p>\n<p>Duas outras hip\u00f3teses:<\/p>\n<p>&#8211; A B\u00edblia apresenta as palavras de Jesus de modo distorcido, pois ele nunca alegou ser o &#8220;Senhor&#8221;.<\/p>\n<p>&#8211; As hist\u00f3rias sobre ele foram inventadas ou ent\u00e3o misturadas com fantasia pelos primeiros crist\u00e3os.<\/p>\n<p>Note que no<em> Novo Testamento<\/em> Jesus n\u00e3o diz ser Deus, apesar de em <em>Jo\u00e3o 10:30<\/em> ele ter dito &#8220;Eu e meu pai somos um&#8221;. A alega\u00e7\u00e3o de que Jesus era Deus foi feita ap\u00f3s sua morte pelos seus doze ap\u00f3stolos.<\/p>\n<p>Finalmente, a possibilidade de ele ter sido um &#8220;lun\u00e1tico&#8221; n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o pequena. Mesmo hoje em dia h\u00e1 v\u00e1rias pessoas que conseguem convencer multid\u00f5es de que s\u00e3o &#8220;o Senhor&#8221; ou &#8220;o verdadeiro profeta&#8221;. Em pa\u00edses mais supersticiosos, h\u00e1 literalmente centenas de supostos &#8220;messias&#8221;.<\/p>\n<h6><strong>Nota 2<\/strong><\/h6>\n<p><em>Einstein e &#8220;Deus n\u00e3o joga dados&#8221;<\/em><\/p>\n<p>&#8220;Albert Einstein acreditava em Deus. Voc\u00ea se acha mais inteligente que ele?&#8221;<\/p>\n<p>Einstein uma vez disse que &#8220;Deus n\u00e3o joga dados (com o Universo)&#8221;. Essa cita\u00e7\u00e3o \u00e9 comumente mencionada para mostrar que Einstein acreditava no Deus crist\u00e3o. Mas nesse caso ela est\u00e1 fora de contexto, pois dizendo isso ele pretendia apenas recusar alguns aspectos mais populares da teoria qu\u00e2ntica. Ademais, a religi\u00e3o de Einstein era o juda\u00edsmo, n\u00e3o o cristianismo.<\/p>\n<p>Talvez essas cita\u00e7\u00f5es de sua autoria possam deixar a ideia mais clara:<\/p>\n<p>&#8220;Eu acredito no Deus de Spinoza que se revela atrav\u00e9s da harmonia do existente, n\u00e3o num Deus que se preocupa com o destino e vida dos seres humanos.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;O que voc\u00ea leu sobre minas convic\u00e7\u00f5es religiosas \u00e9 uma mentira, uma mentira que est\u00e1 sendo sistematicamente repetida. Eu n\u00e3o acredito em um Deus pessoal e nunca neguei isso, mas o afirmei claramente. Se h\u00e1 algo em mim que pode ser chamado religi\u00e3o, \u00e9 a minha ilimitada admira\u00e7\u00e3o pela estrutura do mundo.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Eu n\u00e3o acredito na imortalidade do indiv\u00edduo, e considero a moral como algo que diz respeito somente aos homens, sem qualquer rela\u00e7\u00e3o com uma autoridade supra-humana.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<div class=\"meta-info-block\">\n<div class=\"meta-info\">\n<ul>\n<li>autor: <a href=\"mailto:meta@pobox.com\">Matthew<\/a><\/li>\n<li>tradu\u00e7\u00e3o: Andr\u00e9 D\u00edspore Cancian<\/li>\n<li>fonte: <a href=\"http:\/\/www.infidels.org\/news\/atheism\/logic.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The Atheism Web<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte: http:\/\/ateus.net\/artigos\/ceticismo\/logica-e-falacias\/ L\u00f3gica &amp; Fal\u00e1cias Matthew Introdu\u00e7\u00e3o H\u00e1 muito debate na Internet; infelizmente, grande parte dele possui p\u00e9ssima qualidade. O objetivo deste documento \u00e9 explicar os fundamentos da argumenta\u00e7\u00e3o l\u00f3gica e possivelmente melhorar o n\u00edvel dos debates em geral. O Dicion\u00e1rio de Ingl\u00eas conciso de Oxford (Concise Oxford English Dictionary) define l\u00f3gica como &#8220;a ci\u00eancia [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[9,8],"class_list":["post-29","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-filosofia","tag-falacias","tag-logica"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mino.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/29","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mino.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mino.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mino.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mino.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=29"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/mino.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/29\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":30,"href":"http:\/\/mino.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/29\/revisions\/30"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mino.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=29"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mino.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=29"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mino.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=29"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}